Entrevistado:
Evill Rebouças
- Dramaturgo, Diretor e Ator

por Nanda Rovere

Del.Art: Como você concilia a atividade de ator, professor, dramaturgo e diretor? Tem predileção por alguma dessas atividades?

Evill Rebouças: Conciliar várias atividades parece ser algo do mundo moderno. Sou um trabalhador de teatro, então atuo nessa área sem ter uma predileção específica por estar no palco, escrever, dirigir ou dar aulas. Na verdade o que me move são as propostas. Então, independente da minha atividade no espetáculo, o que me leva a trabalhar em determinada montagem são propostas e objetivos que possam ampliar a minha reflexão e a reflexão daqueles que apreciarão o espetáculo. Talvez, por isso, desde 2004, tenho me empenhado em realizar projetos com a Cia. Artehúmus de Teatro,  grupo do qual faço parte e que tem um coletivo criador que se preocupa não apenas em produzir, mas apreender e investigar expedientes cênicos que contemplem os nossos discursos enquanto artistas e cidadãos. No campo da pedagogia, há três anos que dou aula no Teatro Vocacional e essa atividade tem revertido grandes descobertas ao artista e ao cidadão. Geralmente, são pessoas ávidas por conhecimento da prática teatral, mas, diferentemente da maioria das escolas de teatro de São Paulo, esse projeto nos dá a liberdade de transpor a linguagem estética como ferramenta de reflexão. Há, nesse sentido, uma apropriação da linguagem, mas a premissa básica não é formar atores e sim pensadores que poderão ser atores.      

Del.Art: Como você decidiu se dedicar ao teatro e como você descobriu o dom de se dedicar  aos diversos aspectos da arte teatral?

Evill: O teatro apareceu na minha vida na escola. Vi um espetáculo e a primeira sensação foi dizer a mim que eu queria fazer aquilo. Tinha o sabor de não ser eu. Quando eu vi o Rubens Correa atuando em "O beijo da mulher-aranha" e depois em "Artaud", aí não era mais sensação, era certeza mesmo. Quanto às diversas áreas que transito, isso foi em conseqüência da falta de trabalho como ator. Entre um espetáculo e outro, comecei a escrever e nessa brincadeira já produzi mais de vinte textos - alguns com certa qualidade, mas uma maioria que merece revisão em muitos aspectos. Na atividade de dramaturgo, meu divisor de águas foi atuar em "A luta secreta de Maria da Encarnação", último texto de Gianfrancesco Guarnieri. Depois desse trabalho, vi que grande parte da minha produção estava encarcerada em um pensamento pouco plural. Hoje, penso que meu desafio não é escrever novos textos, mas encontrar tempo para reescrever o que produzi anteriormente.    

Del.Art: Alguns textos que você dirige são de sua autoria, outros não. Isso faz diferença pra você no processo de criação?

Evill: Talvez a única diferença seja a liberdade de poder mudar o que eu escrevi. Faço isso com muita tranqüilidade, pois acredito que uma dramaturgia só é plenamente dramaturgia quando ela chega ao palco, a partir dos vários discursos que serão interpostos sobre o meu texto. Já me deparei com alguns autores que ficam apegados a sua obra e isso dificulta um pouco. Mas só aceito um convite quando o autor me dá essa liberdade de compor o espetáculo em conjunto com o coletivo criador e isso implica em ter que alterar o texto, caso seja necessário.  

Del.Art: Como foi encenar o espetáculo "Evangelho para Lei-gos" no Viaduto do Chá? Fale um pouco sobre este trabalho.

Evill: Foi um divisor de águas em dois aspectos. Era a primeira vez que a Artehúmus, depois de nove espetáculos montados, ganhava um prêmio em dinheiro. O Prêmio VAI da Secretaria Municipal de Cultura garantia uma ajuda de custo para os atores e apoiados por essa subvenção, conseguimos nos dedicar em tempo integral à pesquisa que desejávamos desenvolver.

O segundo ponto está relacionado a uma ampliação na condução estética de nosso percurso. Anteriormente, a Artehúmus tinha uma pesquisa voltada ao teatro épico, privilegiando essencialmente a investigação de uma dramaturgia não contínua. Tínhamos em mente que essa estrutura fragmentária era suficiente para incluir outros discursos dentro do próprio texto. A partir da montagem de "Evangelho para lei-gos", podemos perceber que além do nosso próprio discurso, havia também uma necessidade de criar espaços para que o espectador pudesse criar a sua própria dramaturgia. Nesse sentido, ocupar um espaço com uma carga semântica nos revelou que essa característica específica do lugar era uma possibilidade de inserir dentro do espetáculo, mais uma camada na dramaturgia do espetáculo. Em parte, devemos muito dessa apreensão à ELT - Escola Livre de Teatro. Foi lá que nasceu a primeira cena do que viria a ser o espetáculo, sob a orientação de Antonio Araújo e Luiz Alberto de Abreu. Depois, re-elaborei o texto para a ocupação do banheiro do Instituto de Artes da Unesp - Universidade Estadual Paulista. Mas, foi somente no banheiro do Viaduto do Chá que percebemos a real interferência de uma carga semântica de um edifício público dentro de uma ficção.   

Del.Art: A sua dramaturgia valoriza a reflexão. É difícil sair de um espetáculo seu do mesmo jeito que entramos. Como é o seu processo de criação, de escolha de assuntos...

Evill: Quando escrevo é porque tenho necessidade de dizer algo. "Evangelho para lei-gos" surgiu de uma necessidade de mostrar a condição de indigência de uma população e o descaso de uma sociedade em relação a esse fato. Já em "Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria", eu precisava mostrar a passividade de um povo colonizado em 1500 e que até hoje ainda é manobrado sem ter consciência de que é manobrado. Então, penso em mim e penso em que aspecto o meu discurso pode transformar aquele que irá apreciá-lo. Mas não vejo apenas no texto essa possibilidade de discurso. O trabalho de uma equipe de criação interfere e amplia radicalmente aquilo que se encontra no papel. A repetida fala "Merda de vida", seguida de uma de descarga em que a água chegava até aos pés do público, só aconteceu em função da interferência do espaço e da reflexão de uma equipe inteira. Meu discurso não é suficiente, é apenas mais um ponto de vista que se une aqueles que estão criando o espetáculo comigo.

No caso de "Amada, mais conhecida como mulher...", conseguimos, graças ao subsídio do Fomento, dar um passo à frente. Ficamos dez meses investigando, essencialmente,  expedientes do teatro pós-dramático porque acreditávamos que o texto era apenas mais um elemento do espetáculo. Cada cena hoje apresentada tem praticamente seis versões diferentes porque os integrantes da Artehúmus tinham a necessidade de dizer algo além daquilo que se encontrava no texto.

Del.Art: Por que a escolha de compartilhar com o público o processo de criação e aprimoramento do espetáculo?

Evill: A idéia de confinamento para a criação de um espetáculo sempre foi muito esquisita para mim. Se produzimos algo para ser apreciado, por quê não fazer isso enquanto o espetáculo não está estruturado? É muito dolorosa a sensação de vermos a demolição de uma casa assim que ela é aberta para visitação. Então, pensando nisso, achamos interessante dividir a construção da casa com aquele que irá vê-la. Sabíamos que tipo de casa queríamos construir, mas o tijolo, a argamassa, a pintura e muitas vezes a própria estrutura da casa ia se alterando conforme a apreciação. 

Foi também um trabalho doloroso. Como aproveitar certas apreensões se só nós tínhamos a idéia da casa como um todo? Apresentávamos, quando muito, um esboço de um cômodo e isso levava o apreciador a dizer que muita coisa faltava naquela casa. Mas, a partir desse procedimento, conseguimos ampliar a visão de mundo da construção como um todo. E a aquela expectativa que geralmente acontece quando estreamos um espetáculo é praticamente diluída porque, principalmente, os atores já foram treinados para ouvir e refletir quanto às possíveis mudanças que poderão ocorrer após a estréia.   

Del.Art: Como você lida com a crítica as feitas especificamente pelo público deste espetáculo? ...E a crítica dita especializada, que inclusive, te contemplou com prêmios, destaque para APCA 2006 (Texto Adaptado: Teresinha e Gabriela)?

Evill: A palavra crítica parece não fazer muito sentido nesse processo. Tivemos colaboradores que, diante de uma visão de mundo do assunto e de cada trecho de cena, esboçaram seu ponto de vista. Felizmente, agora na Mostra de Resultados de Pesquisa, a receptividade é tamanha - o que nos leva a crer que construir um espetáculo aos olhos do público pode e muito contribuir para um resultado interessante. Elogios, não apenas pela realização estética, mas falas que revelam um espectador inquieto e com posicionamentos perante o que viu. Há, no entanto, com certeza, certos posicionamentos que descartamos porque não contribuem para os objetivos do grupo. Mas, depois de dez meses de apreciação, nos habituamos a ouvir e filtrar aquilo que poderá colaborar efetivamente para os nossos objetivos. Um fato curioso é que, por estarmos trabalhando com expedientes que solicitam o tempo inteiro uma ativação da platéia para a construção de sentidos do espetáculo, algumas pessoas - principalmente de teatro - acreditam que o público comum não "entenda a peça". Mas, curiosamente, quando algo é dito nesse sentido, as reações do público comum são surpreendentes. Esboçam o seu ponto de vista e falam dos conteúdos apreendidos com muita propriedade.

Quanto à crítica especializada, foram raras as vezes em que tive a honra de poder contar  com a presença de pessoas desse naipe em meus espetáculos. O APCA que ganhei com "Teresinha e Gabriela" parece uma ironia do destino comigo mesmo. Acho esse o texto mais quadradinho de todos que escrevi até hoje.   

Del.Art: Como foi esta experiência; já havia trabalhado desta maneira anteriormente?

Evill: Não. Antes só havia passado pela experiência de apresentar um espetáculo para amigos, geralmente na pré-estréia.

Del.Art: Neste sentido, o seu projeto de mestrado foi voltado para o tema A dramaturgia e a encenação no espaço não-convencional. É uma excelente alternativa para a falta de espaços para
apresentações ou mesmo para o alto custo de aluguéis...Como foi a escolha desse tema para o trabalho acadêmico e para você, como criador, qual utilizar esses espaços.

Evill: A minha primeira experiência em espaços alternativos veio em conseqüência de uma dificuldade. Eu participava na ELT - Escola Livre de Teatro do Núcleo de Dramaturgia e do Núcleo de Encenação. Tínhamos como meta apresentar cenas no Teatro Conchita de Morais. No entanto, o teatro estava em reforma e as cenas passariam a ser apresentadas em outros espaços da escola. Escolhi o banheiro como um elemento que poderia dialogar com o tema da morte social.

Quando ingressei no mestrado, eu já havia montado "Evangelho para lei-gos". Também me intrigava o diferencial alcançado na percepção quando assisti as encenações do Teatro da Vertigem. Havia nelas algo, além da materialidade do espaço - no caso, a carga semântica. Foi por isso que resolvi pesquisar o assunto, pois teria como abordá-lo a partir de uma experiência própria e das experiências do Vertigem.

Hoje vejo que a ocupação de um espaço público como palco para uma peça é algo além do estético. Nessa atitude há também um caráter político e social, pois a inserção de uma ficção dentro de um local público inclui, implicitamente, o depoimento do coletivo social.

Del.Art: Como você avalia o Fomento ao Teatro, como ele tem ajudado o seu grupo?

Evill: Para a Artehúmus foi fundamental. Tivemos a oportunidade de remunerar os integrantes do grupo durante dez meses e com isso também conseguimos nos dedicar integralmente à pesquisa e ao espetáculo. Ensaiávamos, de cinco a seis horas por dia, cinco vezes por semana e nos finais de semana ainda apresentávamos os rascunhos de cenas para o público. Sem um subsídio, não teríamos como trabalhar com essa carga horária. Nem tão pouco ter a oportunidade de contar com a consultoria artística de Marcio Aurélio - que foi essencial ao nosso processo.

Eu, que fiquei fui integrante do CPT em 1989 e 1990, achei patético o Antunes criticar a Lei de Fomento. Ele - um eterno fomentado do SESC, pois na minha época e acredito que ainda hoje apenas ele receba um salário - deveria lutar por melhorias de uma lei que não contempla apenas um grupo ou uma estética. A lei, a qual ele pediu um fim, ainda é cheia de falhas e repleta de vícios - mas tem mudado sobremaneira o panorama teatral paulista.   

Produzir um espetáculo não é tão difícil. Eu já faço isso há quase vinte anos e sempre consegui.  Difícil mesmo é termos a oportunidade de pesquisar, de termos recursos para investir em pesquisas que possam reverter conhecimentos e experiência aos integrantes do grupo. Em conseqüência disso, temos um produto não mais elaborado em três ou quatro meses de ensaio.  Por outro lado, vejo que a lei precisa ser ampliada para contemplar outros grupos, pois, geralmente é notória a qualidade de espetáculos que tiveram como suporte uma pesquisa em relação aos que foram criados a toque de caixa.

Del.Art: E as tecnologias...Na sua peça...você cita , por exemplo, web can...Como você lida com elas? Você acha que é possível , interessante, o teatro se apropriar de algumas delas?

Evill: Acho que precisamos dialogar com o nosso tempo e a tecnologia está presente em nossos dias. Porém, acredito que para utilizamos recursos midiáticos em um espetáculo, é necessário vê-los como elementos que venham a acrescentar algo, além do puro esteticismo moderno. Na montagem de "Amada", pensei em tirar fotografias do público por meio de celulares e imprimi-las em um micro à frente do público; depois elas seriam distribuídas como aqueles "santinhos" de políticos, mas a verba destinada à produção do espetáculo não comportava a compra e a manutenção desses equipamentos. 

Del.Art: O que você acha da dramaturgia brasileira atual? Alguma obra em especial te influencia nas criações? E quanto à literatura, o que gosta de ler?

Evill: Acho que temos avançado bem. Particularmente, aprecio obras que fogem da estrutura clássica. Porém, acredito que dramaturgia, no sentido pleno do termo, é aquela que chega ao palco; aquela que se encontra no papel (principalmente aquelas que ganham os concursos de dramaturgia de nosso país) quase sempre copia modelos desgastados. Qorpo Santo, um dramaturgo que nasceu em 1829, é sem dúvida uma inspiração a minha inquietação.  

Ando afastado da literatura ficcional. Ultimamente ando traduzindo para uso próprio alguns apontamentos de Hans-Thyes Lehmman e Jean-Pierre Sarrazac, dois estudiosos da dita estética pós-dramática. 

Del.Art: Atualmente leituras dramáticas estão acontecendo em diversos espaços de São Paulo. O que você acha disso?

Evill: Fiz parte, por mais de cinco anos, da Sociedade Lítero-Dramática Gastão Tojeiro. Fazíamos, semanalmente, leituras dramáticas. Acho que é uma atividade que pode ajudar a divulgar novos autores e textos. Para aqueles que escrevem, seguindo regras acadêmicas, acredito que essa atividade venha a satisfazer os ouvidos dos classicistas. Para os meus textos, não sei se os curadores deixariam passá-los.   

Del.Art: Como o teatro pode contribuir para um mundo melhor?

Evill: Fazendo teatro que venha a propiciar um espaço para reflexão. E reflexão não significa apenas o denso, pois o riso também significa compreensão e a assimilação.

Del.Art: Por falar em conhecimento, você acha que a Internet se constitui num meio eficiente de transmissão de informações, contribuindo, portanto, para o aprimoramento do nosso conhecimento?

Evill: É preciso distinguir informação de conhecimento. Informação, nós temos o dia todo, seja pelo jornal, pela tv ou pela internet. Conhecimento é organizar um pensamento, é experienciar algo.

Del.Art: Tenho lido alguns textos seus publicados em sites. Você costuma navegar pela Internet? Quais sites são os seus preferidos?

Evill: É o veículo de comunicação que mais utilizo, principalmente em função do e-mail. Escrever é um ato de conhecimento.

Na minha pesquisa de mestrado foi fundamental ter essa ferramenta. Fiz entrevistas on line, pesquisas em sites. Mas não sou um assíduo freqüentador de sites, blogs, etc. 

Del.Art: Fiz esta pergunta para o Prof Fausto Fuser e gostaria de saber a sua opinião: Como está a formação da juventude para o teatro?

Evill:Os jovens estão loucos para ir a qualquer lugar e ao teatro também. Penso apenas que há poucos eventos teatrais que os fisguem. Os jovens lotam concertos, shows, ou seja, atividades que, de alguma forma, resgatam uma ritualidade. É por isso que nas peças do Zé Celso tem uma garotada lotando o Oficina.

Del.Art: Você considera essencial  o ator cursar uma escola de Artes Cênicas para aprimorar o seu conhecimento teórico e prático sobre o teatro?

Evill: Depende da escola. Infelizmente, predomina a formação tecnicista. O sujeito tem que sair pronto para executar. Então, o que importa é fazer, independente da reflexão. A única saída para quem quer algo mais profundo é cursar uma universidade pública. Vejo ótimos exemplos de ótimos artistas e pensadores que saem da Unicamp e da Unesp. São artistas que, em geral, tiveram experiências práticas e possuem o hábito da reflexão sobre o que estão realizando. Dessa forma, não pensam "enformados" e, conseqüentemente, conseguem ser diferentes porque fazem teatro ou ministram conhecimentos a partir de uma pedagogia não "enformada". 

Del.Art: Você já tem vontade de trabalhar na televisão com freqüência ou o seu lar é mesmo o teatro?

Evill: Não tenho nenhum problema com televisão. Ano passado, por exemplo, gravei por três meses, "Cristal" no SBT. Em 1996, escrevi "Mandacaru" para o Avancini dirigir.  É um trabalho insano, mas depois que você pega o jeito, faz sem sofrer. Adoro teatro; é a minha casa, mas de verdade, adoraria fazer apenas filmes.

Del.Art: O que você acha desses atores que fazem sucesso na TV e usam o teatro para ganhar dinheiro?

Evill: Penso no público, penso em fazer mais teatro.  
As perguntas abaixo eu faço geralmente a todos os entrevistados; para fazer um retrato de como os artistas pensam o teatro.

Del.Art: Qual o seu objetivo como artista?

Evill: Investigar possibilidades de discursos que possam ampliar o meu discurso enquanto cidadão e esteta.

Del.Art: Na sua opinião como está o teatro hoje? Tem conseguido assistir alguns espetáculos?

Evill: Vejo uma crescente qualidade nos espetáculos dos grupos paulistanos, principalmente, em função da Lei de Fomento. Em geral são produções que foram geradas a partir de uma investigação e algo diferenciado chega ao palco. Dos espetáculos que vi ultimamente, particularmente me tocaram "Ensaio Hamlet" da Cia. dos Atores e no ano passado, "Cardiff" do grupo do André Garolli.   

Del.Art: Algum novo projeto que você gostaria de comentar?

Evill: Depois do mestrado e da estréia de "Amada", quero descansar. Apenas ler muito e formatar alguns projetos para garantir a continuidade de trabalho da Artehúmus.


Evill Rebouças é um dos artistas mais atuantes da cena teatral paulistana.

Com formação em diversos cursos, entre eles o Centro de Pesquisas Teatrais com Antunes Filho, é ator, diretor, professor, dramaturgo...Acima de tudo um artista que vê no teatro um meio de reflexão sobre a nossa realidade e de melhoria do nosso mundo, através do aprimoramento do conhecimento – via a arte.

Participou do Núcleo de Teledramaturgia do SBT, foi autor da novela Mandacaru (veiculada na extinta Rede Manchete), atuou na novela Cristal (SBT) e no Projeto Senta Que Lá Vem Comédia, da TV Cultura.

Em 2004, citando os seus trabalhos mais recentes, encenou Evangelho para Lei-gos dentro de um banheiro público e atuou no espetáculo O Bem-Amado, interpretando o Dirceu Borboleta.
2005 também foi ano muito produtivo para esse artista. Pingo Pingado, Papel Pintado, texto e direção de Evill, fez temporada no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, e O Morteiro fez sucesso no Centro Cultural São Paulo (assinou a direção). Em 2006 foi agraciado com o APCA
pela adaptação da obra infantil Teresinha e Gabriela - Uma na Rua e a Outra na Janela (de Ruth Rocha).

É mestre pela Unesp - Universidade Estadual Paulista e pesquisa A dramaturgia e a encenação no espaço não-convencional.

No momento o seu grupo, Cia. Artehúmus de Teatro, é um dos beneficiados pela Lei do Fomento ao Teatro do Município de São Paulo e ocupa o espaço, no Projeto Ateliê Compartilhado.

Neste projeto,  dois criadores investigaram a criação da dramaturgia cênica para imprimir outras possibilidades de recepção, considerando os pressupostos poéticos e ideológicos do teatro pós-dramático.

A Cia Artehúmus apresenta Amada, mais conhecida como mulher e também chamada Maria (dramaturgia e encenação de Evill Rebouças);  que retrata uma mulher dona de várias faces:  ora ela é Maria, uma mulher comum que sente prazer/desprazer na hora do ato sexual e da fecundação de seus rebentos; ora ela é Amada, uma pátria-mãe que se prostitui facilmente quando se depara com recursos oferecidos por estrangeiros para amenizar as desgraças de seus filhos.

Em cartaz desde maio, o diferencial é o espetáculo estar em processo de criação, isto é, após as apresentações são realizados debates com o público e, a partir das observações dos mesmos, são realizadas modificações na encenação.

A peça entra em férias, mas dia 11 de agosto volta a ser apresentada no mesmo espaço.

Para saber mais detalhadamente sobre os seus projetos e as suas concepções sobre o fazer teatral, visitem:

www.dramaturgiadoabc.cjb.net

www.webearte.net

www.orkut.com/comunidades/Evill Rebouças