Amada

Por Andréa de Albuquerque

Amada, mais conhecida como mulher e também chamada de Maria


Um suspense é provocado pelos lances de escada terra à dentro. E a cada corredor virado, sem ver o próximo da fila e sem saber o rumo seguinte, instiga mais ainda os olhares atentos para saber o quê lhes aguardam. A orientação, fora a regra básica, e respeito, para desligar qualquer aparelho sonoro, são para que sigam os atores e permanecem de pé, até o momento que possam sentar; e não mudar de lugar os banquinhos. (Mas que banquinhos?) E dada tamanha situação inusitada, alguns desacostumados, travam no meio do caminho, sem saber ao certo como agir. Ainda há um tom de curiosidade naquilo tudo.

O teatro que se forma ao desenrolar das cenas é algo de improviso meticulosamente programado. E faz jus à expressão "o espetáculo é único". E isso não é só a força da expressão, mas cada dia, cada banquinho tem um dono diferente; a cada apresentação, uma pessoa age, reage, pensa diferente da outra. E sem essa diferença, sem esse processo colaborativo “pós concepção” faria, sim, com que fosse igual. Por mais que o ator ali atuasse de maneira diferente do dia anterior, esquecesse o momento certo da pausa no texto, permaneceria extremamente igual sem as respostas daquela platéia com a sua vontade de mais ineditismos teatrais ouriçada a todo o momento.

"Podem sentar!"

E então, filhos e irmãos desconhecidos se encontram ali. Irmãos da Pátria que os criou e que muitos não prestam atenção. Enfim esta Pátria será apresentada aos seus filhos, apresentada para todos os ângulos: dos bancos, ao ponto mais alto da arquibancada. E se não bastasse, trocados de lugar ao som "caliente" da música latina numa bela dança descompassada.

A luta dessa mulher de ventres largos, parrideira com excelência, é sofrida. A Maria é usada, são extraídos de si seus valores únicos por culpa do interesse de outras Pátrias não tão boas genitoras como esta. E a história dela se repete em meio as suas filhas e filhos. Mas que continuam na batalha por um copo d'água, mesmo só conseguindo "coca".

Os elementos cenográficos, figurinos, iluminação, e todo o aparato técnico não precisam ser descritos. São só completos bem escolhidos para partilhar com seus irmãos, a história dessa mão gentil que não desiste de seus filhos e que ainda está sendo escrita por essa “nação desfacelada” que não se deu conta de que dividem o mesmo ventre da nossa Mulher.

*Fotos do site do Centro Cultural São Paulo

Ficha Técnica

Dramaturgia
Evill Rebouças

Atores Compositores da Cena
Daniel Ortega/Edu Silva /Leonardo Mussi /Roberta Ninin /Solange Moreno

Figurinos e Adereços Cênicos As Mariposas
Maria Zuquim e Juliana Napolitano

Criação de Luz e de Equipamentos
Edu Silva

Montagem de Luz
Edu Silva e Nilson Castor

Operador de luz
Nilson Castor

Fotos
Alícia Peres

Estágio em Direção
Queila Rodrigues

Consultoria Artística
Marcio Aurelio

Encenação
Evill Rebouças

Produção Executiva
Ila Girotto (São Jorge Produções Artísticas)

Realização
Cia. Artehúmus de Teatro

Ingressos
R$15,00 – inteira, R$ 7,50 meia (idosos e estudantes)

Duração
120 minutos

Lotação
80 lugares

Data e horário

Estréia: 19 de outubro, até 19 de dezembro
Sextas, 21h, Domingos, 20h

Local
Centro Cultural São Paulo - Espaço Cênico Ademar Guerra
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso

Mais informações
Fone: 11 - 3383-3400

Andréa de Albuquerque
E-mail:
andrea@del.art.br